Kika Alvarenga - Retrato da artista
Me tornei joalheira
porque a joia
é um pouquinho de eternidade.

A Joalheria de Kika Alvarenga começa no corpo,
Lugar onde a alma ganha o mundo.

Como estilista, vivenciou o corpo que se cobre e se descobre na fluidez do movimento. Como artista plástica, fez do corpo um lugar onde se deve demorar. Desenhou, esculpiu, fotografou, se impregnou de proporções, texturas, encaixes. Luz e sombras. Profundidades.

De posse dessa experiência, a joalheira, formada pela Central Saint Martins University of Arts of London, lançou seu olhar sobre as pedras. A prata. O ouro. A força criativa do seu trabalho está na intensidade pessoal com que respeita a natureza e acessa sua diversidade. A essência do design de Kika Alvarenga é fazer brilhar o que é precioso em cada coisa.

Na imperfeição da pedra pulsa a beleza de sua identidade. Os contrastes ampliam o olhar. Bruto e delicado. Brilho e fosco. Denso e leve. Não há padrão, só possibilidades. O ouro se dispõe a ser fio, relevos e abismos, garras e leito para que a pedra flutue. A pedra diz onde quer ser joia, a lapidação escuta, o metal acolhe.

E assim, a joia de Kika Alvarenga se entrega ao corpo que vai possuí-la, trazendo para junto de si um pouco de eternidade.

Texto por Carla Madeira